A Pequena Peça da Motherboard Que Pode Decidir o Futuro do Seu PC: O Segredo Escondido no Chip de BIOS

Quando alguém procura as melhores motherboards do mercado, a atenção costuma recair sobre o chipset, o formato da placa, as opções de conectividade ou as possibilidades de expansão. No entanto, existe um detalhe minúsculo que muitos ignoram completamente — e que pode determinar o futuro das atualizações do computador: o tamanho do chip de BIOS.

À primeira vista parece irrelevante, mas esta pequena memória pode ter um impacto enorme, sobretudo para quem investe numa plataforma AMD conhecida pela sua longevidade e suporte a várias gerações de processadores.

O chamado BIOS SPI ROM, mais conhecido simplesmente como chip de BIOS, é um pequeno chip de memória flash instalado diretamente na motherboard. É nele que reside o BIOS ou, nas últimas décadas, o firmware UEFI, muito mais avançado.

Este componente é facilmente identificável na placa-mãe pelo seu tamanho reduzido e pelo formato típico de 8 pinos, embora alguns modelos de motherboards topo de gama utilizem chips com 16 pinos. Apesar da dimensão discreta, a importância deste chip é absolutamente crítica para o funcionamento do computador.

Sem ele — ou caso o firmware esteja corrompido — o sistema simplesmente não arranca. O motivo é simples: este chip contém instruções fundamentais responsáveis por inicializar e testar o hardware do computador, garantindo que tudo está pronto para arrancar sempre que o utilizador carrega no botão de energia.

A Evolução Impressionante do Tamanho dos Chips de BIOS

Nos primórdios da informática, a capacidade destes chips variava entre 8KB e 64KB. Com a evolução brutal do hardware e das funcionalidades das motherboards, o tamanho destes chips teve de acompanhar essa transformação.

Durante vários anos foi comum encontrar motherboards com 16MB ou 32MB de BIOS, mas recentemente começaram a surgir modelos equipados com chips de 64MB, especialmente nas plataformas AMD mais recentes.

No entanto, nem todas as motherboards AMD incluem obrigatoriamente chips com essa capacidade.

A razão principal é simples: custos de produção. Chips de maior capacidade são mais caros, e durante muito tempo os fabricantes tentaram reduzir despesas recorrendo a chips mais pequenos.

Contudo, vários fatores obrigaram a indústria a evoluir:

  • Firmware cada vez mais complexo
  • Interfaces gráficas mais avançadas no BIOS
  • Suporte para mais gerações de processadores
  • Inclusão de funcionalidades adicionais, como drivers de rede integrados

Este último ponto é particularmente útil durante instalações limpas do Windows, permitindo que o sistema obtenha ligação à internet mesmo sem drivers instalados previamente.

Nem Todas as Motherboards Premium Têm Chips de BIOS Maiores

Mesmo nas plataformas mais recentes da AMD, a presença de chips de 64MB não é garantida.

Os chipsets X870 e X870E, que representam a gama premium da série 800 da AMD, nem sempre vêm acompanhados de chips de BIOS de maior capacidade. Tudo depende das decisões de design de cada fabricante e das margens de lucro pretendidas.

Curiosamente, alguns modelos com chipset B850, mais acessíveis, também podem incluir chips de 64MB, sobretudo nas variantes posicionadas no segmento mais caro dessa categoria.

Isto significa que os compradores precisam de olhar além do chipset e do preço ao avaliar uma motherboard.

Um Detalhe Técnico Que Muitos Compradores Ignoram

Para descobrir a capacidade real do chip de BIOS, muitas vezes é necessário visitar a página oficial do produto.

Outro detalhe importante: muitos fabricantes indicam a capacidade em megabits (Mb) e não em megabytes (MB).

Exemplo comum:

  • 512Mb = 64MB
  • 256Mb = 32MB

Esta conversão pode parecer trivial, mas faz toda a diferença quando se avalia a longevidade potencial de uma motherboard.

Porque o Tamanho do BIOS Pode Limitar o Suporte a Processadores

O chip de BIOS guarda código essencial para que a motherboard consiga comunicar corretamente com os processadores.

Nos sistemas AMD, esse código chama-se AGESA. Nos sistemas Intel, trata-se de microcode.

Sempre que um novo processador é lançado, os fabricantes de motherboards precisam de atualizar o BIOS para incluir o código necessário que permite reconhecer e suportar esse CPU.

O problema surge quando a quantidade de processadores suportados ultrapassa o espaço disponível no chip de BIOS.

Quando isso acontece, os fabricantes são obrigados a fazer escolhas difíceis.

O Caso Real Que Aconteceu na Plataforma AM4

Um exemplo clássico ocorreu na plataforma AM4, uma das mais duradouras da história da AMD.

Quando os processadores Zen 3 chegaram ao mercado, muitas motherboards com chipset da série 400 enfrentaram limitações graves. Na altura, a maioria utilizava chips de BIOS de apenas 16MB.

Para conseguir incluir suporte aos novos CPUs, muitos fabricantes tiveram de remover suporte para processadores mais antigos baseados em Zen e Zen+.

Em alguns casos, houve até cortes visuais no firmware:

  • Interfaces gráficas foram removidas
  • BIOS modernos voltaram a menus de texto clássicos

Tudo isto para libertar espaço dentro do chip.

A Plataforma AM4 Recebeu Um Número Impressionante de Processadores

Ao longo dos anos, a plataforma AM4 suportou oito gerações diferentes de processadores AMD, incluindo CPUs Ryzen tradicionais e APUs.

Entre eles:

  • Ryzen 1000 (Zen) – 2017
  • Ryzen 2000 (Zen+) – 2018
  • Ryzen 3000 (Zen 2) – 2019
  • Ryzen 4000G (Zen 2) – 2020
  • Ryzen 5000 (Zen 3) – 2020
  • Ryzen 5000G (Zen 3) – 2021

O Futuro da Plataforma AM5

A plataforma AM5, lançada em 2022, ainda está no início da sua vida útil.

Até agora recebeu três famílias de processadores:

  • Ryzen 7000 (Zen 4) – 2022
  • Ryzen 8000G (Zen 4 Phoenix) – 2024
  • Ryzen 9000 (Zen 5 Granite Ridge) – 2024

A AMD já prometeu suporte oficial para a plataforma até pelo menos 2027 — e possivelmente além disso.

Se o padrão histórico se mantiver, é bastante provável que a plataforma receba futuras gerações como Zen 6.

Será Que 32MB de BIOS Será Suficiente?

Neste momento ainda é impossível prever quantos processadores adicionais irão chegar à plataforma AM5.

Caso o número cresça de forma semelhante ao que aconteceu no AM4, é possível que motherboards com chips de 32MB acabem por enfrentar limitações no futuro.

No entanto, para a maioria dos utilizadores — especialmente aqueles que atualizam regularmente para os processadores mais recentes — esta capacidade deverá ser mais do que suficiente, mesmo que isso signifique perder compatibilidade com CPUs muito antigos.


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